segunda-feira, julho 05, 2010


Compreendendo seu bebê: primeiros cuidado

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Ele chegou ao mundo ontem, nada sabe de si, de quem é, de onde está e de quem realmente são as pessoas à sua volta. Tem emoções e reconhece vozes e sons. Mas não pode enxergar direito, muito menos pensar no que está vivendo.
Ele é simplesmente é: é a fome que contrai seu estômago, é o desconforto da fralda cheia de xixi ou coco, é o incômodo do frio ou do calor, é a irritação que sons repentinos e altos ou luz intensa e direta provocam. Ele é o vazio da ausência do corpo a corpo, daquele estar grudadinho, quentinho, aconchegado e totalmente seguro – única realidade sólida que ele conhece.
Seus pais estão eufóricos ou cansados, supresos ou exaustos. Familiares vêm e vão. Ilustres desconhecidos para o bebê. Geralmente muito barulhentos também. Ele se vê mergulhado em uma avalanche de estímulos sensoriais; gente pegando-o no colo, com suas roupas suadas, cheirosas, malcheirosas, ásperas, macias, lisas, grossas...; ouve sons altos, vozes e risos; vê sombras se mexendo rapidamente...
Ele pode estar com sono, com sede, com fome, e não saberia dizer. Não poderia avisar ninguém pois sequer sabe o que tem. Só pode chorar e esperar que alguém decodifique seu choro até para si mesmo. Coisa que toda mãe aprende, após um tempo. Torcemos para que esse tempo seja o mais curto possível.
A nova vida que este ser pequenino representa e é há de ser cuidada e olhada a partir do coração. Com um recém-nascido deveríamos despir nossas roupas convencionais, esquecer as modas e a etiqueta, e colocarmo-nos de alma nua em relação com outra alma nua que acabou de descer sobre este planeta. Antes de maqueá-lo com roupinhas e interpretações, antes de decidir quem ele vai ser, qual sua personalidade é, antes de associá-lo à mãe ou ao pai, à tia ou ao avô, deveríamos permitir-lhe a liberdade de simplesmente SER. Encararmos junto a ele o mistério de sua identidade e aprendermos a olhar o mundo pelo seus olhos maravilhados e sobressaltados. Mas para isso, precisamos despirmo-nos: das nossas couraças, das nossas próprias poses e crenças, interpretações do mundo e vícios de visão.
Este é o maior e melhor presente que possamos dar aos novos recém-chegados: dar-lhes a chance de descobrir-se e descobrir o mundo à sua volta sem formatação prévia. Permitir que olhem a realidade por seu próprio ângulo. Somente desta forma, eles poderão desenvolver-se como seres únicos e não réplicas de mãmãe ou papai, do titio ou do amiguinho. Pois, não basta nascer, é preciso depois ter condições para florescer.
Como então se recebe um serzinho amado mas desconhecido que entra neste mundo de repente? De braços abertos e com o coração disponível. A simbólica dos braços é particularmente significativa. Assumir algo na linguagem metafórica é representado pela imagem de pegar nos braços. Carregamos em nossos braços aquilo que passa a estar sob nossa responsabilidade e que amamos. Os braços levam ao colo e ao coração. Sobre o peito, a batida do coração lembra ao bebê o mundo conhecido, devolvendo-lhe a paz. Nosso corpo é seu berço primário, seu principal porto seguro. Somos mamíferos! Esfregar-se, grudar-se, sentir-se, cheirar-se, beijar-se. Um bebê precisa, primeiramente, receber o toque amoroso, o contato pele-a-pele. Não só isso provê calor e acolhimento concreto e palpável, como dá fronteiras, limites, contenção. Recorda-lhe à experiência de estar contido no abraço amoroso do útero por meses; continuidade que permite a construção de sua identidade. Não precisamos nós adultos desta contenção quando nos sentimos frágeis e sós? Não é do abraço apertado que nos ampara e segura firme, para que não caiamos e não fraquejemos, que precisamos nos momentos mais delicados? É o ninho dos nossos braços e o rítmo embalador do nosso coração o primeiro cuidado que damos ao nosso bebê.

 
Coloquemo-nos de seu ponto de vista. Seu primeiros dias respirando pelos pulmões. Está limpo o ar que ele respira? Prestemos atenção se há poeiras, mofo, ou perfumes. De nada disso ele gosta. Roupas lavadas com sabão de côco, neutro e só. Perfumes são para gente grande. Ele está estreiando sobre este novo planeta. Tudo deve ser bem delicado, respeitando seus tempos, sua pequenês, suas necessidades. Cada bebê é diferente, mas todos precisam ser compreendidos e seus rítmos observados.
Como todo filhote, o nosso, também, precisará de longas horas de sono. Permitimo-lhe esse luxo: sono tranqüilo, silencioso e no escuro. O fato dele não reclamar porque há barulhos, luzes néon sob sua cabeça, vozes e músicas altas e parecer estar dormindo, não significa que para ele está tudo bem. Imaginem que estejamos tão mortas de cansaço que mal conseguimos levantar da cama, entretanto ouvimos perfeitamente o barulho na rua, o trânsito, as pessoas gritando. Só não temos condições de sair da cama e ir botar ordem (e muitas vezes sequer obteríamos algum resultado!), apesar de nosso sono estar sendo perturbado. Quando finalmente nos levantarmos, não estaremos tão bem dispostas como se tivéssemos dormido sossegadas e tranqüilas as horas de sono necessárias.
Tentemos, portanto, cuidar do bebê nos colocando em seu ponto de vista. Este exercício irá, com toda probabilidade, levar a questionar a forma como nós pensamos e vivemos, e até como fomos criadas. Podemos começar a nos dar conta daquilo que não tivemos e que faltou. Começaremos a enxergar alguns absurdos que se cometem com bebês sem a menor consciência do que se faz. Este resultado é normal e perfeitamente compatível com o sentido do que estamos vivendo: uma nova vida entrou em nossa casa. Logo, precisamos nos renovar! Desta forma, o simbólico e o material do nascimento se unem harmoniosamente.
No começo a sutileza deve prevalecer. Isto está em extrema oposição ao estilo de vida moderno onde tudo é forte, duro, excessivo, violento, rápido, corrido, suado, agoniado. Como então oportunizar ao bebê seu rítmo? Prestando-lhe atenção. Não tratando-o como uma vaso chinês do IV milênio antes de Cristo, ou como nossa nova boneca, muito menos como um “garoto” pronto para entrar na montanha russa da existência moderna. Todas essas perspectivas falham em olhar para o bebê como um sujeito. Comete-se o erro de tratá-lo como um objeto, isto é alguém que não tem vontade, sentimentos, emoções, necessidades próprios, afinal alguém sem individualidade. Uma pessoa que é sujeita é encarada com atenção e consideração, com aquele interesse que temos por algo que nos fascina e desperta o nosso respeito.
Naturalmente, uma postura assim está embasada no amor. Só podemos abrir os olhos desta forma quando amamos e temos o coração aberto. É importante frisar a questão da abertura. Pois se trata de um ato de disponibilidade ao que der e vier. Ao abrirmo-nos confirmamos, com os fatos e não com as palavras, nossa intenção na direção da mudança; isto corresponde à abrir o peito para sermos atingidos (a famosa flecha de Cupido) pelo outro, ser único e especial, que está em nossa frente. Juntos formarão um novo núcleo humano, na integração harmônica dos diferentes. Conversas e boas intenções de nada servem se faltam os fatos reais que criam experiências reais. 

As crianças, por estarem de alma nua e totalmente sincera, percebem na hora o fingimento, a rigidez, o distanciamento emocional. E sofrem. Choram, têm cólicas, são irritadiças, não conseguem dormir direito, têm medos, acordam o tempo todo, ficam doentes. Um dia, possivelmente, se habituarão a viver assim, e sumarizarão seu desconforto, terão problemas escolares, comportamentais e etc. Se esta for a única forma de sobreviver no ambiente humano no qual nasceram, um dia, elas aprenderão a ser mentirosas, fingidas,  preconceituosas... Mas até chegar lá, terão de passar pelo treinamento bruto que começa, para muitas delas, desde o primeiro mês de vida. E desmistifiquemos imediatamente um lugar comum: bebês não fazem manha. Se chorarem, precisam de colo imediato. Se precisarem de colo é porque têm suas boas razões. Se nós não as compreendemos é por causa de nossos limites. Não imputemos a eles nossas falhas de entendimento. A dependência não deve ser temida. Bebês são dependentes e é para ser assim. E nós somos dependentes deles, pelo amor descomunal 
que sentimos! Eles podem dormir conosco ou nós com eles. Podem mamar na cama ou adormecer no peito. Eles podem tudo. Talvez, seja este o único momento na vida humana em que todas as regalias são válidas. E com regalias, entendem-se necessidades prementes e reais, não roupas, cremes e visitas.
Apesar do bebê não falar nossa língua (ainda), sendo humano tem altíssimas chances de aprender bem rápido e a única forma disso acontecer plenamente é conversando com ele. É preciso pressupor que nosso bebê seja inteligente, presente e receptivo. Ser mãe e pai é fazer uma aposta na loteria com um trilhão de chances de vencer. A aposta é a seguinte: confiar que temos em casa um gênio. Esta fé deve ser mantida pelos próximos 30 anos, pelo menos. Firme e leal, na cara de qualquer adversidade. Trata-se de um ato de fé, não de crença tola. Os erros devem ser apontados e trabalhados, mas não podem sabotar a auto-estima da criança. Este é o segundo cuidado essencial para com seu bebê. Toda vez que ele parecer não entender, duvide de você mesma. Pode ser que seja você quem não está entendendo, pode estar forçando um rítmo dele, impondo ou acelerando demais; ou, simplesmente, estar com o coração fechado. Ao conversarmos com nosso bebê não é necessário usar diminutivos e um vocabulário limitado. Espraie o universo para ele degustar. Use todas as palavras que conhece não tema cansá-lo, pois ele é um gênio! Invente palavras novas e torçam antigas, brinque com elas e imite as vozes dos animais, crie sons para as emoções e as caretas. Mostre a variedade infinita que o mundo humano oferece em termos de comunicação. Palavras desenvolvem o cérebro. Quanto maior o vocabulário maior as condições de dizer o mundo, logo, maior o mundo e as possibilidades nele contidas. Um vocabulário amplo é o começo indispensável para um bom proveito da escola, estimulam a leitura, a descoberta e a curiosidade em geral.  
Cante para seu bebê. Embale-o em sua voz e envolva-o numa dança, para que ele descubra rítmos musicais e movimentos harmônicos. Faça com ele o lhe agradar mais, pois sua felicidade será transmitida e ele fará experiência de emoções positivas que o incentivarão a crescer e se fortalecer. Sua alegria é a dele também. E aqui entra uma questão muito importante: os cuidados para com a mãe. Uma mãe bem disposta é a chave para um filho tranqüilo. Só uma mulher de bem consigo pode criar filhos positivamente centrados. Mais uma responsabilidade sobre nossos ombros. Entretanto, uma essencial, já que filhos são um projeto de vida e não mais um elemento em nossa vida. Para equilibrar esta missão é importante saber pedir ajuda. Isto é, tratarmo-nos com consideração. Respeitando nossos rítmos, mesmo quando não é fácil, é que saberemos respeitar os rítmos alheios.
A qualidade da relação da mulher consegue mesma se manifesta com frequência na hora da mamada. Estendendo a gestação, dar o peito é um ato de amor e doação dos mais elevados. Significa estar aí (no sentido metafórico e concreto) para nosso filho, doar nossa presença, corpo e atenção. É a primeira forma de relação fora do útero. É encontro e troca. É segurança, reconhecimento, alimento para o corpo e a alma. É um tempo precioso que não deveria nunca ser perturbado, interrompido ou invadido. A mamada é um espaço e um tempo sagrados para serem escrupulosamente respeitados. Todos os demais cuidados com o bebê, uma vez adquiridos esses pressupostos de base, seguem o bom senso e os hábitos da mãe e do pai. Alguns bebês adoram entrar na água, outros menos. O banho é mais um momento lúdico do que de limpeza. Em lugares quentes pode-se dar mais de um banho por dia, sempre prestando atenção à reação do bebê. Se a gente gostar de água e ele não, é a vontade dele que deve prevalecer. Nunca deixá-lo pegar friagem. É importante que pés e cabeças estejam sempre protegidos de ventos e frio. Evitar roupas sintéticas, o algodão é o melhor tecido, sendo macio e natural. Não aquecer o bebê exageradamente. Coloca-lo de lado na hora do sono com uma manta levemente enrolada nele, sem travesseiros, ursinhos de pelúcias e demais objetos em volta. Deixem que tenha ar para respirar e que também possa abrir os olhos e enxergar um pedaço de mundo e não o protetor de berço!
Lembrar-se que a vida tem uma forte tendência para sua continuidade, portanto, segure sua ansiedade quanto ao fato se o bebê respira ou não, se está tudo bem com ele, se vai sobreviver e etc. É ora de ter um pouco de fé e bom senso. Enormes são as chances de que ele veio para ficar. É são e pronto para um grande começo de vida.  
Festejemos, então, sem aflição e em serenidade. Cremes e pomadas nas trocas de fraldas não são sempre necessárias. A boa e simples água é em geral suficiente. Maizena dá ótimos resultados contra as assaduras. Quando é preciso de algo mais, optar por creme de calêndula. Massagens diárias a partir do segundo mês são uma forma gostosa de interação com o bebê e permitem ganhar familiaridade com seu corpinho, suas preferências e jeito. Ajudam a prevenirem cólicas e a relaxar em geral. São divertidas e provêem uma rotina agradável para ambos. Os óleos durante a massagem são naturais e sem perfumes, geralmente indicados o de amêndoa e o de côco. Como as flores, os bebês precisam de sol, mas sem excessos. Passeios pelas manhãs ou tardes, evitando o sol do meio dia, e as horas de trânsito mais intenso, são partes de uma saudável rotina, desde que breves e em lugares tranqüilos. Os demais cuidados são realizados a partir desse lugar de bom senso e fé em seu filho e em você.

3 comentários:

Cacau disse...

Oi mãe coruja sua pequena é linda e fofaaaa, achei parecida com meu pequeno que é cabeludinho e moreninho igual a ela, gostei do post mas não consegui ler tudo, as letrinhas estão muito pequenas e sou meia ceguinha sabe rsrsrsrs, bjs e obrigada por me seguir. Cacau

Adriana D. disse...

Que menininha mais fofa!

Unknown disse...

Olá! Vi que vc é seguidora do Mundo do Pedro.
Vim lhe fazer uma visitinha, conhecer um poquinho mais sobre você.
Estarei te seguindo também, ok?

beijinhos
Mari e Pedrinho - Mundo do Pedro http://mariepe.blogspot.com

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